"Inapelavelmente, há que se valorizar a palavra, na sua mais elementar forma, como na essência da perfeição do seu significado. Revigorá-la é um imperativo. Com o júbilo da coragem e do amor.
A palavra emerge. Viva. Desentranhada dos pensares de quem faz poesia. (Cavalcanti Barros)

"A poesia é a música da alma e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais". (Voltaire)

"A poesia está mais próxima da verdade vital do que a história". (Platão)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011







O RETRATO

Arlene Miranda


Olhar parado na velha moldura,
Lembrança de quem foi um grande amante.
Conserva, ainda, a mesma candura
E o brilho na pupila rutilante.


Os doces sonhos que deixou pra trás
Ardem na brasa de extremos fulgores,
Mesmo que dele já não restem mais
Lembranças vivas de velhos amores.


Igual a mim, que morro lentamente,
Qual anciã que vem perdendo o viço,
Em silêncio se impõe ali na sala...


Qual assassino que matou o tempo,
Jamais há de matar minhas lembranças,
Nem o ardor das minhas esperanças.




Copyright © 2011 by Arlene Miranda
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terça-feira, 29 de novembro de 2011

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Era eu...?

Valderez de Barros

Será que era eu
Aquela mulher apaixonada,
Que se contorcia de prazer,
Arrebentando as entranhas,
Ardendo em chamas,
Tomada de louco e ardente desejo...?

Será que era eu aquela mulher,
Que, perdendo todo o pudor,
Desnudava-se, para sentir em sua pele
A maciez do corpo do seu amado...?

Que gemia alucinadamente
No calor de carícias ousadas,
E no frenesi da dança do amor,
Gemia, lascivamente?

Se era eu...
Onde andará escondida
Essa parte de mim...?
.

                                   Copyright © 2011 by Valderez de Barros                                                                                                            All rights reserved

sábado, 26 de novembro de 2011

Versos outonais

Entardece...



Lá fora, um ar gelado impera.

As folhas, secas e amarelecidas,

desnudam os galhos das árvores,

seguem em redemoinho,

açoitadas pelos ventos frios.



Dentro de casa,

as chamas das velas

(acesas pra esquentar o ambiente)

aquecem minh’alma,

avivam-me as lembranças.



Sinto ressuscitar minha essência poética,

(estática, há algum tempo),

à beira de um oceano de lágrimas.



Finalmente, surgem estes versos outonais,

dantes, tão dolorosamente adormecidos,

que os pensara mortos dentro de mim.



Copyright © 2011 by Lou Correia

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Autumn in Minneapolis

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Companheirismo

Dydha Lyra


Noite fria,
insone,
solidão quer me deixar.
Imploro:
fique,
pra que minha saudade
sinta-se acompanhada!

Copyright © 2007 by Dydha Lyra
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011


Salto quântico

                     Cavalcanti Barros

Meu ser criança,
Faz
O meu Agora.
Num salto quântico
De vida.

Uma santa magia acontecida,
Energia de Deus
Que em tudo aflora.

Copyright©2011 by Cavalcanti Barros
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domingo, 23 de outubro de 2011

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Espelho de cristal

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Lys Carvalho
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Ontem, no meu dormitar,
senti a chama de
 teus olhos ardentes
numa sedução de mistérios e ironia.
.
Levitava em teus braços
no entorpecer do meu corpo.
No manto de uma noite escura,
aos poucos sentia tua boca molhada,
numa sensação de êxtase e prazer...
.
Despertei ao ver minha própria imagem,
solitária, refletida no espelho de cristal!!!
.

Copyright©2011 by Lys Carvalho
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011



   CONFIDÊNCIA
 .
                            Arlene Miranda
 .
Deixo-te aqui meus sonhos inconclusos,
Na languidez serena de teus olhos.
Livrar-te-ei dos males obtusos,
Mergulharei nas águas dos abrolhos.
 .
Na calma azul da noite orvalhada,
Quero abraçar-te em plena madrugada,
Ouvir o doce vento murmurante,
Te acalentar em noite inebriante.
 .
Rindo ou chorando, corações ufanos
Vão caminhando sorrateiramente,
Revivendo ilusões, vencendo enganos.
 .
Reaverei momentos tão risonhos,
E te amarei apaixonadamente,
Fonte de luz a iluminar meus sonhos.
 .
 Copyright © 2011 by Arlene Miranda
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

 .
Folha morta

José Alberto Costa
.
Recendia a mofo
a sala recém-aberta.
O cheiro antigo,
parado no ar,
trazia lembranças
de momentos vividos,
de pessoas e coisas
que se foram
na inexorabilidade
do tempo.
A porta aberta projetou
um raio de luz
sobre um carcomido piano
onde uma folha amarelecida
jazia sobre o teclado morto,
na placidez da tarde morna.
.
Um silêncio eloquente
contava a história
das gentes alegres
que por ali passaram
e deram vida
àquele ambiente
em épocas passadas.
Pedaços de vidas
congelados no tempo.
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Copyright © 2011 by José Alberto Costa
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                 DEFINIÇÃO
.
                                               Cavalcanti Barros
.
Em que mundos andei? Em quais esferas
minh’alma vagueou ao léu dos ventos?
E quais os formidáveis pensamentos
que em mim refloresciam noutras eras?
.
Talvez vivi sentado entre quimeras,
sorvendo em taças áureas meus momentos,
ou fui, em meus caminho pardacentos,
gerado entre rugidos de panteras.
.                      
Um átomo, talvez, redemoinhado,
um turbilhão do mundo do passado,
mas que, no agora, sente o cetro à mão.
.
Reles cascalho possa eu ter sido.
Homem, hoje, porém, sou permitido
ter meu caminho, minha direção.
                    .
Copyright © 2011 by Cavalcanti Barros
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domingo, 4 de setembro de 2011

Inverno

Dydha Lyra

De onde vem
este repentino inverno
que ora invade

minh'alma,

acinzentando

meu céu interior

com densas nuvens

de lembranças?

Esta chuva, movediça
,
escorrendo pela vidraça,
desenha, aleatoriamente,
silhuetas
nômades

vagando por

destinos ignotos,

esboçados tão somente

no mapa egocêntrico do querer,

que conduz a um caminho

íngreme e umbroso,

cuja descolorada

sinalização indica:

dobre a esquerda,

rua solidão;

agora, siga em frente,
parada obrigatória:

o coração.
 



Copyright © 2011 by Dydha Lyra
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

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Lacunas

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Valderez de Barros
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Minhas mágoas se foram,
Somente ficando as boas lembranças.
Foi bom desabafar em versos meus conflitos,
Porque isso me fortaleceu,
Fez-me olhar pra frente, conhecer-me melhor.
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Muitas vezes sinto o coração pesado,
Porém, não mais pelo que passou, mas,
Pelo que espero acontecer,
Ou que eu esperava, pudesse acontecer,
E já não tenho tanta esperança de viver.
.
Minhas ilusões, quase de adolescente,
Começam a fugir de mim.
Estou me acostumando
À minha solidão interior.
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...Então, invento amores,
Canto em versos alegrias ou dores,
Preenchendo, assim,
Algumas lacunas de minh'alma.
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domingo, 28 de agosto de 2011

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         À PRETA VELHA
          .
 .                 Arlene Miranda
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Com justiça, dedico esta homenagem,
À preta velha por bem merecer.
Reverencio, assim, a sua imagem,
Tão presente, tão pura, em meu viver.
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Nunca a esqueci, velhinha e já doente,
Sentada, olhar tristonho, em nossa sala,
Em silêncio, pensava em sua gente
E nos tristes horrores da senzala.
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Mesmo sofrendo, quando ainda escrava,
Sob a chibata do algoz senhor,
O seu carinho ao filho deste, dava...
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Foi um anjo despido de maldade,
Por toda a vida espalhou amor,
Esperando ganhar a liberdade.
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                                          Copyright © 2011 by Arlene Miranda
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

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                          Amar você
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Lys Carvalho

 .
Amar você é um fascínio
que explode em desejos cristalinos,
formando estilhaços de paixão
que ardem nas entranhas.
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Amar você independe de mim,
da razão e do meu querer;
é uma sinfonia de acordes divinos,
que me enlouquecem
e me levam ao delírio.
.
Amar você eterniza meus desejos,
leva-me aos céus, flutuo.
Sonho junto com as estrelas,
decanto minhas emoções.
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Amar você é divino!

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Copyright © 2010 by Lys Carvalho
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domingo, 12 de junho de 2011

Beija-flor arisco

Dydha Lyra


De mim,
ficou um pouco em ti,
meu beija-flor arisco!
Ficou meu cheiro de homem
 na tua pele eriçada e em teu sexo úmido,
na escorredura de pólen orgástico,
a fremir sob o compasso digital,
 alternado de êxtase e arrebatamento íntimo
 consumado.

(E essas coisas não existem por aí, sem cumplicidade),
sem verdades, nos anseios
 de momentos avassaladores;
não existem, sem o silêncio das palavras mudas,
apenas escritas nos nossos olhos
molhados de desejos,
e ornados de sedução
por um querer arrebatador!
Ora, a razão e o coração questionam:
Foi amor?
Foi paixão?
Não sei...

De repente, fez-se, em mim,
um silêncio pleno,
invadido apenas pelas lembranças,
uma doce e irreversível ilusão de te querer...
Copyright © 2011 by Dydha Lyra
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Viagem

Lou Correia




Cansada de perambular
entre ilusões turbulentas,
(são tantas decepções sofridas)
neste momento, careço:
do brilho caloroso do teu olhar
que, doravante, há de ser meu guia;
da fortaleza dos teus braços
para deitar minha cabeça,
aconchegar meu corpo,
esquecer de tudo,
concentrar-me , apenas,
em ti,
em mim,
em nós.
Necessito de ouvir a melodia
de tua voz precisa e forte
(respondendo às minhas perguntas).
Embriagar-me de ti,
embevecida e emocionada,
pedir-te:
ensina-me.

Quero viajar junto contigo
para dentro de mim,
descobrir em nós
nossos segredos,
indecifráveis mistérios!

Copyright © 2011 by Lou Correia
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Paixão ardente

Valderez de Barros


Você me atravessa como um rio,
Inunda-me com suas carícias,
Passeia-me feito luz do sol,
Deslizando, tépido, sobre mim,
Aquecendo-me inteira.

Em evoluções ora suaves, ora enlouquecidas,
Suas águas me envolvem,
Penetram todo o meu ser,
Enchendo-me de vida, de calor, de puro amor...

Fazendo-me voltear consigo, num redemoinho,
Por leitos de magia, de encantamento,
Unidos pela paixão ardente
Que jorra, interminável, de nós dois.

Copyright © 2011 by Valderez de Barros
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

A última estação

Arlene Miranda


Mirando a vida com olhar saudoso,
Eu vou seguindo neste velho trem,
Rumo à última estação, trem vagaroso,
Dentro de mim, saudade de alguém.

Tragando no vapor as minhas glórias,
Sua fumaça me invade o coração.
O comboio lotado de memórias,
Leva sem rumo a minha solidão.

Em sua plataforma adormecida,
Onde repousam todos os meus temores,
Repousa ali também a minha vida...

O vazio em meu peito é como um grito.
Eu procuro esquecer as minhas dores,
Do trem ouvindo, ainda, o triste apito.


Copyright © 2011 by Arlene Miranda
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Vá embora, saudade.

Lys Carvalho


Ah, se a saudade fosse para bem longe,
só para deixar o coração calmo e sorrindo!
Ah, se a saudade não fosse tão doída,
talvez, quem sabe, ela pudesse ficar!

Mas, a saudade é forte demais,
machuca, maltrata e envelhece
a alma e o coração.

Vá embora, saudade, me deixe quieta,
a solidão já é boa companheira!

Copyright © 2011 by Lys Carvalho
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