Com licença Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond, Cecília Meirelles, Vinicius de Moraes, grandes expoentes da literatura nacional; com licença Jorge de Lima, Jayme de Altavila, Ledo Ivo, Mendonça Júnior, Gonzaga Leão, Francisco Valois, Cristiano Fernandes, Jucá Santos e tantos outros mestres da poesia deste “Paraíso das Águas”.

Pedimos licença, admirados mestres, para segui-los, embora sem o brilho ofuscante de suas inteligências, trilhando os mesmos caminhos da poesia, percorrendo as mesmas sendas inspiradoras, bebendo da mesma fonte inesgotável do saber poético.

Às vezes, se tentamos dormir, idéias loucas pairam sobre as nossas cabeças; ansiosos, poetas e entusiastas da boa literatura que somos, esperamos apenas o dia amanhecer, para registrá-las e mostrá-las àqueles que gostam e lidam, assim como nós, com a expressão, em suas múltiplas facetas. E a palavra, um dos instrumentos de expressão, num exercício pleno de cidadania, dinamiza-se e cria o “Movimento da Palavra”, espaço democrático, sem donos, sem regras definidas, mas comprometido, sobretudo, com a divulgação do nosso “fazer poético”, com a ampliação e a preservação da memória cultural alagoana.

domingo, 15 de novembro de 2009

Lançamento Antologia - Movimento da Palavra

sábado, 24 de outubro de 2009

ANTOLOGIA DO MOVIMENTO DA PALAVRA

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Imagem refletida


Sentei-me à beira

De um regato

De águas mansas,

Debrucei-me

Sobre ele e vi

Ali refletida,

A imagem de uma mulher...

.

O rosto jovem,

Sorriso nos lábios,

Cabelos longos,

Olhos verdes,

Brilhantes,

Cheios de ilusões,

Cheios de vida...

.

Quis tocá-la,

Mas as águas

Fizeram ondas

E aquela imagem

Se modificou...

.

Em seu lugar,

A imagem

Da mesma mulher...

Mas, sua tez

Já não tem

Tanto viço...

.

Seus cabelos

Já não são longos

Nem tão abundantes...

Seu sorriso

Já não é tão ingênuo,

Nem tão contagiante...

.

Mas, os seus

Olhos verdes...!

Ah, esses ainda têm

O mesmo brilho

Da imagem que se foi

E se perdeu no tempo...


Copyright © 2008 by Valderez de Barros
All rights reserved.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Casa grande


Mirando teu retrato,
fria, pálida e indolente,
recordo os momentos
de uma felicidade passageira.

Nossa casa grande de janelas azuis
refletia um sol brilhante, nas tardes de verão.


Quão belas tardes que juntos passamos,
cantando tuas canções e ouvindo tuas histórias.
Aquela casa grande ainda lá se encontra,
no meio de grandes jardins floridos e verdes...

Mas nosso passado junto se foi...
com tuas lembranças, uma felicidade passageira.

E teu retrato, mágica recordação,
não me deixa esquecer teu jeito, teu olhar,
teu sorriso sincero, aberto e branco como a neve.

Quantas saudades!...

Copyright © 2009 By Lysette Carvalho
All rights reserved

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Rosas



Eis as rosas que te trago,
úmidas, assim colhidas,
dentre as mais belas
dos jardins do tempo
por onde busquei
a vida inteira.

.

São muito especiais,
colhi-as ainda intocadas
pela brisa da anteaurora,
com dia não raiado,
para que o sol não as visse
antes dos teus olhos
recém-abertos.

.

Eis as rosas que te trago,
úmidas, assim colhidas,
belas e perfumadas
pelo aroma doce
das orvalhadas
madrugadas primaveris.
Elas trazem o frescor
da tua imagem,
a maciez da tua pele,
a placidez do teu sonho.


Copyright © 2009 By José Alberto Costa
All rights reserved.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Confidências



A chuva canta indiferente
aos teus ouvidos,
já dormes, certamente...
.
Meus pensamentos
surpreendem-te
na tua cama,
no aconchego morno dos lençóis
que, neste instante
(e por enquanto)
substituem os meus braços.
.
Abraço-te forte, emocionada.
Num misto de paixão e ternura,
beijo-te o rosto,
os olhos,
os lábios...
.
Dormes calmamente,
doce menino grande,
nem percebes
os pensamentos e desejos
que me despertas...
.
Tu, perfeito poema de amor,
em inspiradoras confidências
dos versos que tento compor!
.
Copyright © 2009 By Lou Correia
All rights reserved.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Orgia de dúvidas



Subjuguei o teu amor
tão cheio de ternura e pureza.
Em noite
de solidão e lembranças
,
abriste teu coração nobre.


Num momento de fraqueza,
não acreditei em ti.
Ah, quanta insegurança!
Não comandei meus pensamentos,
que na orgia das dúvidas,
fizeram-me perder um lindo amor!

Copyright ©2009 by Lys Carvalho
All rights reserved.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Soneto ao luar














.

No clarão do luar, fulgor crescente

Detém-se em meu olhar, inesquecível,

Ele que encanta o coração da gente,

Ternura que seduz, imperecível.

.

Me fala do seu mundo tão distante

E das horas de amor que consolou,

Uma paixão atroz, alucinante,

Velando a ternura que restou.

.

A sua luz se espalha em negro manto,

Prata que ameniza um triste pranto

Eterna maravilha em negro céu...

.

Mergulho em seu clarão a fantasia,

E guardo n’alma a sua nostalgia,

Envolta na beleza do seu véu.

.Copyright © 2009 by Arlene Miranda
All rights reserved.



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Homem menino


Ele deixou na rua

Toda aquela força

Cantada em verso e prosa

Desaviou-se do ímpeto

Dos rompantes, da ousadia

Desnudou-se.

Ficou nu e cru.

Em meus braços

Somente o homem

Transbordante de carinho

O menino carente de ternura.

Copyright ©2009 by Aydete Vianna
All rights reserved.

domingo, 27 de setembro de 2009

Dança



Não parem a valsa,

pois quero dançar,

com jeito ou defeito,

na nave voar.

.

Estranha a canção

que me enche de alegria,

envolve-me em sonho,

que doce fantasia!

.

Teus braços me enlaçam,

no meio do salão...

Desnudam meu orgulho,

atiçam meus desejos

deliro de paixão!


E é assim, sempre...


Copyright © 2009 by Sandredy Marzo
All rights reserved.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A espera

E essa lua,

que me acorre em tua ausência,

prolonga mais e mais

o sofrer,

a espera.

E se vão segundos, minutos, horas,

manhãs, tardes, noites...

Ah, afiados açoites

que marcam meu corpo

e mutilam

o querer.

Copyright © 2009 by Dydha Lyra
All rights reserved.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Marcas


Meu corpo tem
As marcas do tempo...
Minha alma quer tempo,
Para deixar marcas de amor
Impressas nos corações
Das pessoas que me rodeiam,
E no livro da vida...

Meu corpo sente o peso dos anos
E está cansado de esperar
Um amor que não quer chegar...
Minha alma não sente os anos passarem
E nunca se cansa de esperar;
De querer, desrespeitosamente,
Desafiar o tempo e amar, amar, amar...!
Copyright © 2009 by Valderez de Barros
All rights reserved.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vitória Régia

.


À noitinha, desabrochando, é branca,

É mais bonita à sombra do arrebol,

Em pleno lago expande-se a fragrância,

E é cor-de-rosa ao nascer do sol.

.

Rosa lacustre, pousa sobre o rio

Sua candura de beleza extática.

Boiando sobre a água, em desafio,

Impõe-se ao nosso olhar, enigmática.

.

Vitória-régia! Emoção divina.

Su’imensa doçura me fascina,

De encantos rutilantes esplendidos.

.

Folhagem curva esconde mil segredos.

Dos botos e das ninfas seus enredos

Se aninham eternamente em meus sentidos.

.


Copyright © 2009 by Arlene Miranda
All rights reserved.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tempo perdido

Foi muito tempo perdido,

rondando, buscando espaço,

à procura de um sentido

para as coisas todas que faço.

.

Tentei gostar, criar laços,

brincar com o tempo, correr,

mas só, somente os teus braços

dão sentido ao meu viver.

.

Eis a razão porque agora

vivo a sofrer, a chorar,

sinto a vida perecer...

.

É que todo o meu ser te adora

e se não consigo te encontrar,

vejo o tempo se perder.

Copyright © 2009 By Lou Correia
All rights reserved.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lindos poetas

Tributo aos poetas do Movimento da Palavra

Quantos lindos poetas
que descongelam suas almas,
nas noites frias de inverno,
na beleza outonal, nas folhas caídas...

Lindos poetas
que falam dos perfumes da vida,
que se entregam nas lembranças,
desencontros nas esquinas da vida.

Lindos poetas
que deixam pegadas na areia
como marcas de uma partida, sem retorno.
Que em sinfonia inacabada,
impõem uma dança do amor.

Lindos poetas
que se encantam com as paixões virtuais;
que nas teclas frias viajam em emoções,
e na ânsia de olhares perdidos,
sentem palpitar o coração.

Lindos poetas,
que na paz de um íntimo definido,
encontram um abrigo.
Que no encontro do blues na madrugada,
inundam a alma com uma dança nostálgica a dois.
E numa vida reinventada colhem pedaços dispersos
das lembranças perdidas...

Lindos poetas,
que escondidos nas dores de amores,
pedem perdão com lágrimas sofridas.
E pelo tempo perdido de um amor,
na fome da esperança, um cálice da vida,
entregam a Jesus o sacrifício pela vida.

Lindos poetas
que gostam de falar de ansiedade,
de amor puro e singelo.
Gritam sempre afinados
por um amor verdadeiro.
Destemidos e alegres, parabenizam amigos;
imploram, em pedidos poéticos,
àqueles que esculpem a essência da vida,
natureza e todo um ser.

Lindos poetas,
que nos seus sonhos,
beijam bocas, olhos e atiçam desejos.
Falam da macieira, pondo no gesto a razão.
Em versos puros, acendem a fogueira
de aum ardente coração,
clamam por um amor, num gemido de saudade...

Lindos poetas que buscam,
no redemoinho de águas barrentas,
memórias que removem entulhos do ontem findo.
Que com suas mãos divinas percorrem, em sonhos,
uma imensidão de desejos.
Que com a lembrança das imagens,
procuram um espelho para sentir o outro.
Que gritam no silêncio, repugnando a imagem.

Lindos poetas,
que nas madrugadas frias,
sonham estar nos braços do amado,
desejando os prazeres do amor.
E a lua, sempre presente nos versos,
arrebata fortes emoções, palavras picantes,
lágrimas de fel e mel,
saudade de uma vida passada,
viagens adiadas e promessas não cumpridas.

Lindos poetas que mandam amores embora
dizendo não se importarem com a saudade...
No lirismo do brincar, mal-me-quer...bem-me-quer,
congelam as inspirações, como se possível fosse,
entre mantas e edredons.
Mas, a solidão deixa o gosto amargo...

Lindos poetas,
ao chegar das manhãs,
o sol torna a iluminar a vida
trazendo novas inspirações.
Um porto é sempre seguro,
quando as almas cansadas, carentes
buscam um abrigo,
aquele que acolhe as ilusões e,
sob a neve, apesar de paradoxal,
torna-se acolhedor.

E assim as águas correm sobre um rio canhoto;
com elas, correm as buliçosas memórias,
as doces mentiras, as deliciosas lembranças...

Lindos poetas, e agora?

A cálida voz soa alegre,
voa...e o coração escuta:
quantos amores existirão
nas almas libertas dos poetas?
Os sonhos, os desejos sempre
estarão na memória úmida...
Na noite alta,
concentram-se os pensamentos,
fantasias e desejos;
na quietude outonal, reflexão,
verdades desconhecidas.
E resta apenas a saudade,
ou a sombra de um grande amor perdido
ou a procura de um novo amor.

E, assim é, sempre...

Copyright © 2009 by Lys Carvalho
All rights reserved.


Metade de mim

Metade de mim

Quer desistir de amar...

A outra metade

Procura, incansavelmente,

Se apaixonar.

.

Metade de mim

Se desilude deste feito...

A outra metade

Quer abrigar

Um grande amor no peito.

.

Metade de mim

É dor, sofrimento...

A outra metade

É vontade, teimosia,

É vida, é alegria!

.

Metade de mim

É indiferença...

A outra metade,

Esperança.

.

Metade de mim

É o que sou...

A outra metade,

O que em mim se esconde.



Copyright © 2009 by Valderez de Barros
All rights reserved.

Solidão a dois